domingo, 29 de julho de 2012

"Eu me lembro do tempo que nós sonhávamos... Continuo nesta esperança."


Por: Guilherme



Pois é, do Belchior eu não conheço quase nada, um pouco com a pela seca sei que tenho quase 25 anos de sonho e sangue, e de América do Sul, e mesmo conhecendo muito pouco do nosso continente, que me desperta um senso único de Nação, ainda preciso viajar por estas terras. Vim um pouco mais perto da minha cidade natal para estudar, não fui tão longe, mesmo me sentindo cada vez mais desligado daquelas terras que me ensinaram a ser um cabeçudo.

Também conheço pouco dos poemas de Carlos Drummond, mesmo sabendo que é o poeta predileto do meu orientador ao ponto dele chamá-lo de Hörling das Minas Gerais. Para dizer verdade, fascinante a forma que Drummond escreve, contudo, quão provinciano suas palavras me soam.

Começo a sonhar na atmosfera que o Pedro nos deixou no último texto. O problema é este materialismo que não solta das minhas mãos.

Nada mais certo do que dito pelo meu camarada. Necessário se faz que saíamos da ditadura do indivíduo, que possamos entender o sujeito, não apenas os sintomas, mas as razões da existência, as nossas doenças. O porquê (não sei se com acento ou não) da existência. Estamos imersos numa cultura que para sair da ditadura da religião só encontrou base na ilusão da razão absoluta do indivíduo, como se ao interiorizarmos e aprendermos técnicas fosse suficiente para nos tornarmos humanos e fossemos evoluir para além das misérias.

Quanta ingenuidade, mentira, não acredito nisso, penso que sempre há interessados nessa manutenção, não consigo nunca pensar em não propor alguma forma mudar a economia e a filosofia vigente.
Mas voltemos. Ando em um pessimismo único. Como pode o ser se ocultar em discursos de mérito para fugir da responsabilidade para com o próximo? Como pode uma cultura tão individualista que pensa em exercer seu Eu sem se importar até onde o Sujeito tem fundado suas crenças? Não sei até onde tenho viajado, só sei que não tenho tido mais chão.

Para ser sincero, neste ponto tenho tido consolo e felicidade, que bom não ter tanto chão, ter tanta certeza, como se meus conceitos tivessem sido realmente implodidos. Conceitos? Para que tantos, se o que importa na verdade são as consequências trazidas pela aplicação dos fenômenos em nossa vida.

De tudo esboçado no último post, o que com certeza mais tem minha cara, mesmo não escrito por mim, é a ação do discurso. Meus colegas já devem estar enjoados desse meu falatório. Mas não tem como o mundo continuar se esquivando disto, esta necessidade de conceituar e pensar que um julgamento sobre os objetos são obsolutos. A perenidade é visível, somos seres humanos contextualizados, o pecado é nossa marca. Precisamos mais de luta, de comida, de olhar... ver que cada sujeito possui uma face única e voltada para o outro e que nunca saberemos qual é outro que poderá fazer da nossa vida uma nova vida. Não precisamos ter o chão firme, precisamos ter um céu para sonhar, para voar, dar assas ao nosso existir e poder transcender. Cada dia que passo vejo que as música, a viola, o riso, possuem uma descrição única da verdade.

Ainda a vejo com tanto brilho que me cego, fico feliz por isso, não porque a consigo descrever, mas porque consigo sentir que sou um Ser buscando me encontrar em ummundo de tanto desencontros. Preciso de um cão também. Quanta falta nos sobra!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

“Eu me lembro muito bem, do tempo que você sonhava...”


Por: Pedro Henrique


É, tenho andado meu caminho, tenho visto pessoas..., mas quem sabe a vida lá no trópico ande a mil? Tenho um cachorro que se chama Belchior, resolvi colocar esse nome nele, porque sou fã de carteirinha do grande compositor e músico. Quase sempre que posso, coloco uma música aqui, outra ali, recentemente escutei, acho que o ultimo disco de músicas inéditas o As várias caras de Drummond, um claro elogio do cearense ao nosso grande poeta mineiro, de 2004, um disco espetacular porque Belchior me surpreendeu com suas letras e melodias, ele se superou indo além do seu velho e bom repertório. Sou um jovem que desceu da cidade do interior mineiro para a capital do Espírito Santo, como muitos mineiros e como os muitos nordestinos buscando uma vida melhor no Sudeste. Felizmente a economia do país anda razoável, em vista dos anos anteriores ao governo de centro-esquerda, e o movimento tem se invertido, as pessoas tem retornado às suas cidades, aos seus estados.

Sinceramente, se eu fosse fazer um elogio a este cantor, acho que poderia passar um final de semana escrevendo em frente ao computador e ainda não me cansaria. É desses que não se enjoa de ouvir, cada vez que eu ouço parece que é a primeira vez, sempre uma nova composição, sempre surge algo de novo, percebo algo que não tinha percebido ou dado atenção, conecto com outras coisas e por aí vai. Mas nada é divino, nada é sagrado, nada é maravilhoso. Neste momento, para variar, estou ouvindo.

Mas não se trata dele neste curto texto, acho que venho dizer aqui de outra coisa, mas tomei emprestadas suas canções para criar uma atmosfera, em enredo de aproximação, de afeição, de coisas que possamos ter em comum, preparando a cama. Sonhos. Vamos sonhar.

O que me levou a sair, provisoriamente da terra do UAI, dos casos, da terra dos contos, da amizade, da família, da rocinha, do cigarro de palha, do pão de queijo, das montanhas e cachoeiras, dos companheiros é o desejo de um mundo melhor, sem chavões, por favor! Um mundo melhor para mim e para o próximo, estou pensando no meu futuro, entretanto, não se tem futuro individual, só se pode ter futuro coletivo. É chegado o momento onde o EU deve dar espaço, ceder um pouco, dar passagem a um novo sujeito, a uma nova relação do homem com seu mundo, é preciso pensar em outras formas de subjetivação para além dos egoísmos, individualismos e ismos a perder de vista.  Um sonho é tão curto e tão intenso, chegam a ser segundos.

Tarefa difícil e árdua exilar-se de si mesmo. A distância é tão linda quanto à proximidade, só precisamos saber apreciá-la, e depois voltar, voltar a si. Porém, como diria Foucault ou Nietzsche, qualquer um dos dois, uma conversão, um retorno a si, nunca é um simples retorno, sempre tem algo ali de diferente, que mudou nesse meio-tempo. Que bom seria se fosse sempre um (re) começo, que bom seria se nos perdêssemos um pouco. Na verdade, estou precisando de chão, de terra, pão, de “coisas reais”. É simples sonhar, às vezes surge uma vontade enorme de vomitar no mundo toda miséria que engolimos de uma única vez, mas o discurso lógico e racional nos impõe uma ordem, uma limitação, uma ordem da coerência, cansei da coerência, e que tal se todos se explodissem? Rizoma, fascismo, qualquer coisa, mentiras, farsa, saco cheio, doce, nozes, balões, música, ar, novela. Quando acaba, pode ser um novo começo, que tal se nos começássemos de novo? E se não precisasse fazer sentido?  E se invertamos outra coisa?  Se no lugar do discurso coerente e lógico fossemos movidos pela paixão, pelo ethos, pela ética, pelo amor, e se fossemos menos autoritários, e se não fossemos os donos do saber, e se questionarmos a NÓS mesmos, e se nossa cognição fosse outra? É possível? Não sei, mas sei que é preciso mudar e, sinceramente, não estou preocupado, neste momento, em propor algum esquema ou estrutura social ou econômica ou filosófica ou escambau a quatro, nada disso me interessa no momento, porque tamanha a urgência e a miséria que bate nas nossas portas todos os dias ou nas ruas em que passamos. 
 
Acredito que os movimentos de Occupy pelo mundo à fora, os Indignados, o Zapatista, o MST, A Primavera Árabe, é um recado claro, claro e em bom tom de que as coisas não andam bem e precisam mudar. Chega de dizer ao outro o que é bom ou ruim, “cruel ou paixão”, chega dessa moral burguesa, da exploração do homem pelo homem, não estou propondo anarquia, aliás, que fique claro, não se trata disso. Minha, nossa proposição é um mínimo de civilidade, poderíamos inventar outra palavra, pois o que vemos, hoje, não pode ser considerado, em hipótese alguma, civilidade. A essa altura não espero muita coisa, só um mínimo, que bom seria se ele desse conta de dissipar nossas instituições. Se essa lógica Newtoniana e Cartesiana, como disse Guilherme, explodisse! Que bom seria se a vida fosse uma música, uma poesia, um filme, uma obra de arte que as coisas fossem fazendo sentido à medida que fossemos experimentando, que fossemos sentindo, que fossemos tocados, sensibilizados com o próximo, que fosse beleza, que fosse intenção, que fosse sonho, que fosse fênix, que ressurgisse das cinzas. Ainda ousam dizer que as palavras não rasgam papéis, que elas não ferem, que elas não tocam, que elas não tem força, que não mudam as coisas.  Na verdade, cansei das palavras, que bom seria se a vida fosse ação. Palavra é ação! Jogou no ar, já era! Não tem volta, dá pra pedir uma desculpa, é obvio.

Quer saber a verdade? Não a eterna e absoluta dos senhores da verdade, mas essa parcial e provisória. Meu cachorro Belchior tem me ensinado mais coisas, realmente úteis à vida, como compaixão, companheirismo, lealdade, simplicidade, determinação, força de vontade, respeito e amor à vida e o amor nestes cinco meses que estou com ele, do que nesses 20 anos de escola.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Uma nova porta...

Boa noite!


Estou aqui inaugurando o blogger. Quem vós escreve é Guilherme.


Não é segredo para ninguém que me conhece que tenho uma imensa amizade por Pedro Henrique (mestrando em psicologia), bem como por falar demais. Nesse contexto, após um semestre de muitos estudos teóricos sobre teorias da justiça, filosofia, conceitos de ciências e métodos (etc), decidi que seria uma boa experiência "testificar" as ideias, jogando-as ao vento, esperando ver quais frutos podem ser colhidos ou não.


Assim, também no intuito de amadurecer algumas ideias com Pedro, para no futuro escrevermos a quatro mãos algumas conclusões dos estudos, decidimos por bem criar o presente Blog.


Dessa forma, o intuito do instrumento de comunicação é trocar ideias diversas sobre assuntos cotidianos (ou não), sem a pretensão de dissertarmos sobre algo que somos especialistas, ou que façamos com métodos científicos (principalmente métodos de uma ciência Newtoniana). Contudo, sempre com a seriedade necessária para possamos sair do debate raso, sem admitir a responsabilidade com que deveríamos ter para com o próximo. Sendo assim, nenhuma debate que envolva o ser humano poderia ser maquiado, mas deverá ser escavado, para que, no mínimo, possamos desvelar a maior quantidade possível da existência de cada fenômeno.


Espero que se houver leitores, que gostem da proposta de trabalho, ainda que, detestem as ideias esboçadas. Inclusive, seria de muito bom grado que os leitores façam propostas de temas a serem debatidos e estabeleçam um debate com os autores, para que os dicursos realmente possam ter a maturação devida e possível.


Espero que tenhamos interlocutores, sejam todos bem vindos!
Que sejam abertos os debates...