quarta-feira, 1 de abril de 2015

Para não dizer que não falamos de Deus

Para não dizer que não falamos de Deus

Meu amigo Guilherme, lá se vão alguns anos desde nossa última postagem nesse blog. Quanto tempo não se passou, e em nós, quanto também não se passou? Daqui, escrevo de madrugada, reli o último texto e, felizmente, um blog realmente não precisa e não deve ter ares “científicos” (Graças a Deus), porque isso já fazemos na academia (não é academia de musculação não eihn!).

Bom, pra não perder o costume de ao mesmo tempo “enrolar” e ser objetivo, de estar dentro e fora, sem eixo e na direção oposta, desnorteado e sem sentido, viciado e virtuado, vamos logo ao que interessa: Uma simples carta para falar de amizade, Deus e jogar conversa fora!

Gui, estou lendo Spinoza (Prefiro Espinosa) a respeito de noções como: primeiro gênero do conhecimento, ideia adequada, paixões tristes, alegria e outros. Vou tentar explicá-los a você e assim, ao mesmo tempo, aproveito a oportunidade para explicá-los a mim mesmo, obviamente.

Espinosa diz que um afeto é maior que uma razão, na realidade, a razão é efeito de um determinado afeto de alegria. Um indivíduo, ou ser, quando age e pensa, tendo consciência do que o levou a agir ou pensar estaria tendo ideias adequadas ou noções comuns. Por outro lado, um indivíduo quando tem consciência de determinado afeto, mas não tem consciência do que o provocou ou o causa é acometido por ideias inadequadas ou imaginativas. Por ex: Você fica com raiva de alguém, mas não sabe por quê.  Quando somos tomados por ideias adequadas temos consciências do que as provocou, sua causa, e assim aprendemos a discernir certa causalidade em detrimento das ideias imaginativas, sem causalidade.

Ele argumenta que quando se tem consciência dos afetos (ou afecções) e suas causas somos acometidos pelo afeto da alegria, que nos impulsiona ao encontro, a ação e a potência de agir e pensar, pois sentimos nossa potência aumentada. No movimento inverso, quando não temos consciência das causas dos afetos, somos tomadas pelas paixões (pathos – sofrer uma ação) diminuindo nossa potência de agir e pensar.

Tentarei novamente, uma afecção (encontro do corpo com outros corpos) quando aumenta nossa potência de agir, leva ao afeto chamado de alegria, nos leva à atividade, ao querer, ao desejo (conatus). Já uma afecção que diminui nossa potência de agir e pensar é um afeto triste, ou uma paixão triste, pois nos desmotiva a agir e pensar, logo uma ideia inadequada.

Um ser se esforça em perseverar e existir. Nossa natureza é a auto-preservação. Deus é a natureza, Deus está em tudo e em nós. (Amigão, tô simplificando a filosofia do Cara, porque esteticamente e literaticamente, ela merece mais, mas considere: é um blog estou escrevendo de madrugada e, por fim,...)

Quando as pessoas agem, mas não tem consciência do porque agem [Marx (alienação) e Freud – (inconsciente) leram o Cara. Já Nietzsche irá fazer uma composição com Espinosa um pouco diferente] estão agindo no primeiro gênero do conhecimento, o da imaginação ou causa inadequada das ideias.

Quando o bendito age com consciência do porque age e pensa, ele está no nível do segundo gênero do conhecimento, ou das ideias adequadas e noções comuns (ex: a ciência). Mas agora que é fodarástico!! O Terceiro gênero (e controverso) do conhecimento, também chamado de beatitude e intuitivo. Sabe em que consiste esse gênero? em ver Deus e a eternidade, na singularidade, ou seja, nas pequenas coisas. Esse Gênero simplesmente diz: a capacidade de criar de Deus existe em cada um de nós. E aí vem a revolução pelo qual o Cara foi expulso e excomungado do cristianismo e do judaísmo. Uma crítica severa e aguda contra a servidão humana constituída nas relações dos homens com a religião, uma relação baseada no medo, em falsas crenças e superstições. É por isso que Marilena Chaui o chama de filósofo da Liberdade, pois ele ousa pensar em uma humanidade, no sec. XVII, livre das amarras do pensamento do primeiro gênero de conhecimento.

Só para mencionar, se escrevi é porque fui tomado por um bom encontro com o texto de Espinosa a ponto de aumentar minha potência de agir e pensar e escrever um texto, e se direcionei o texto para você é porque sempre nossas conversas são bons encontros!
Continua...


Aguardo um texto seu. Abraços mano vei!!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

América Latinidades...


Nossos sonhos se acendem, se apagam, se reacendem, se reapagam... se reacendem.

por Pedro Henrique (em clara resposta ao texto anterior)

Meu amigo, que belo texto escreveu! Fiz o que você sugeriu: li o texto enquanto ouvia a música e pode acreditar; desses olhos cansados brotaram lágrimas de alegria, de felicidade de ouvir a poesia do seu texto e ler aquela potência musical. É disso que algumas ou quase sempre (entre linhas) falamos: da beleza, da poesia, da arte, de uma livre existência, de poder criar um sentido a essa curta vida.

Que seja um sentido digno, ético, vou usar humano no tom que você usou, mas poderia ser também antihumano, pois esse humano do capitalismo não é humano, ou é!! Compreende? De que humano se fala, de que beleza se fala, de que comum partimos? Eu e você temos comum o suficiente para poder realizar essa troca. Mas emoções à parte, com as palavras que você tomou emprestadas de Che, com o jogo de frases de músicas que você fez, com parte de sua saga revelada, com a beleza dos seus sonhos, me senti motivado a fazer um comentário-pergunta; do que você fala? Provocações entre filos como você já disse. O que é isso de identidade?

Você já aponta algumas direções quando diz que suas palavras são vazias e podem ser sempre preenchidas e repreenchidas infinitamente. E é nesse ponto que gostaria de me deter um pouco. Tenho lido Diferença e Repetição de Deleuze, recomendo a leitura, e o autor joga com as palavras como para que repensá-las nos seus usos habituais comuns, repetidos. Antes gostaria de pensar que sou um leigo falando, então por isso sem qualquer pretensão de científico, de rigor com seus conceitos, de precisão “exata” de seus sentidos, dito isso continuemos, Nietzsche já evocava muito anterior à Deleuze a noção de eterno retorno do homem, imagine você fazendo tudo de novo e tudo de novo, mas sempre de uma forma diferente. Bascamente o conceito é isso, quem sou eu para afirmar? Eu. Então, Nietzsche pensou que essa era à força do homem, esse era seu super poder, fazer algo contrário a força da natureza, diria Deleuze. E o poder do homem estava em querer poder, e aqui um detalhe sórdido, mas crucial, não se pode faze isso de forma vulgar, não se pode fazer isso de qualquer forma, não se pode tentar repetir sem precisar uma exatidão, sem reinventar a repetição, caso contrário, estamos fardados a uma repetição morta, patológica, doente, pois da ausência de movimento e reinvenção.

O que pesa a favor desses autores, a meu ver, são suas contribuições em colocar a ciência e o conhecimento racionalizado em seu devido lugar, de pura invenção humana e invenção mal feita, melhor, bem feita se não, não teria se tornada hegemônica, mas já ultrapassada. Então vivemos em uma sociedade baseada no pensamento lógico representacional cartesiano. Aquele do “Penso, logo existo”. Os autores propõem uma reinvenção do modo de operar, do modo de conceber nossas relações com o mundo, com a linguagem, com o saber, ao invés de um pensamento representacional - e aí estaria à noção que gostaria de criticar de identidade - por um pensamento imanente, vinculado à ação diretamente, antes de termos alguma mediação, como os códigos da linguagem ou os parlamentares por que não construímos e reconstruímos constantemente esses códigos à medida que o usamos ou por que não somos nós mesmos nossos representantes. Essa é a sacada. O poder é construído e praticado por todos, em todas as instâncias. Bom amigo, este, felizmente, não é uma artigo cientifico, então vou direto ao ponto: identidade nos cola a uma imagem que representa algo, e quando falamos de representação estamos falando de a prioris, de uma essência que anteceda a prática, de algo imutável e desprovido do movimento necessário às mudanças das contingências.

Que identidade seria essa? Vamos pensar em outros termos, em termos de expressividade, de processualidade, mutabilidade, de devir do fluxo, de multiplicidades, de uma subjetividade construída nessa ação permanente do fazer humano. É de uma repetição diferente. De uma ausência de verdades absolutas. Qual identidade seria a do revolucionário? É um exercício, meu caro amigo, de pensarmos a revolução não apenas em termos macroeconômicos, mas de uma micropolítica, que repense os modos de pensar, os modos que temos de conceber o mundo, são revoluções subjetivas que precisamos efetuar diariamente na hora de comprar o pão, na hora de ouvir uma música, tipo aquela música do Raul, na hora do almoço. A revolução ainda não veio porque existem muitas pequenas revoluções em curso, muitas revoluções possíveis e muitas impossíveis ainda por vir. A (Com A maiúsculo) Revolução tão sonhada por muitos nunca foi uma ou deveria ter sido UMA, mas muitas. Nossos heróis cada qual sonhou com sua revolução e a fez, estamos a fazer as nossas?

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Um brinde a ausência de fronteiras...

(escute enquanto lê)


Há alguns dias, uma amiga sumida, Luiza, me deixou um vídeo no mural do face. Este ai que compartilho. O vídeo é daqueles que me faz sentir algo que mal sei explicar. Para ser sincero, impossível racionalizar, no máximo, trazer aporias e palavras soltas, que sorte minha, são vazias e podem ser sempre preenchidas e repreenchidas eternamente.

Engraçado demais, quando criança/adolescente, a necessidade de querer ser reconhecido e ter alguma coisa de nobre em mim, fazia com que ressaltasse aquelas velhas histórias de que "sou bisneto de estrangeiro", corridos da segunda guerra, que tenho sangue europeu e bla bla bla. Quanta pobreza. Não era só a pobreza do fato de que realmente não tinha nada de nobre na minha "linhagem", era a pobreza de achar que isto torna alguém nobre.

Mas ainda bem que o tempo passa e que nossa abertura para a vida nos fazer ver horizontes muito mais distantes do que aquele de uma ética burguesa.

Percebi que o sangue misturado, com muitos estrangeiros pobres, escravos, operários, fugidos, índios... na verdade só representavam UMA MISTURA. Mistura esta que ultrapassa aquela estudada, do mameluco, mulato, como se fosse algo social do brasileiro. Negativo. É identitário e muito maior, é o que no faz sermos Latinos Americanos.

Posso continuar em um romancismo, mas agora penso que encontrei uma identidade concreta, que troca a noção de nobreza pela de honra. Uma busca pela autenticidade que precisa acontecer. Quão honrado é o povo que luta diariamente para ser feliz, para levar sua vida olhando por detrás de olhos puxados, que gosta de sentir o calor de uma pele que sempre tem um queimado peculiar do sol, mesmo nos países americanos que o sol se afugente constantemente.

Não conheço para além de nosso sudeste brasileiro, talvez seja a maior frustração minha até hoje. Assim, torço para que chegue logo o dia de superar tais muros. Mas, e ainda assim, sinto desta forma, como nos dizeres de Che, não o revolucionário, mas aquele humanitário antes de tudo, que percebeu ao viajar por nosso continente que não há qualquer explicação racional para tentar dividir os latinos americanos, senão o próprio interesse de nos enfraquecer. Somo todos irmãos, braços dados ou não, que travamos guerras infindáveis diariamente, com fé em Deus e nesta batalha, sabendo que a vitória vem de pequenos gestos que só este povo pode ver, em um sonho de sangue e de américa do Sul, e que por força desta história, tanto o blue quanto o samba, tomaram vida única!
Sonho muito, para que as mudanças de um novo mundo, que aceite as identidades, surja na prática desta imensa ilha. E, crendo nisso, lutemos! Em um momento que vivo uma batalha tão minha, penso que é apenas um fortalecimento que está muito além de um sujeito, mas para com todos estes, meus irmão, que lutam da mesma forma para trazer um pouco de liberdade e responsabilidade, que a humanidade seja sempre ressaltada e o brilho dos olhos possa contar muito mais que títulos. Somos isso tudo aí, nada a menos, muito mais.

Então brindemos!:


“Bueno, es una obligación para mí el agradecer con algo más que con un gesto convencional, el brindis que me ofrece el Dr. Bresani. En las precárias condiciones en que viajamos, solo queda como recurso de la expresión afectiva la palabra, y es empleándola que quiero expresar mi agradecimiento, y el de mi compañero de viaje, a todo el personal de la colonia, que, casi sin conocernos, nos ha dado esta magnífica demostración de afecto que significa para nosotros la deferencia de festejar nuestro cumpleaños, como sifuera la fiesta íntima de alguno de ustedes. Pero hay algo más; dentro de pocos días dejaremos el territorio peruano, y por ello estas palabras toman la significación secundaria de una despedida, en la cual pongo todo mi empeño en  expresar nuestro reconocimiento a todo el pueblo de este país, que en forma ininterrumpida nos ha colmado de agasajos, desde nuestra entrada por Tacna. Quiero recalcar algo más, un poco al margen del tema de este brindis: aunque lo exiguo de nuestras personalidades nos impidan ser voceros de su causa, creemos, y después de este viaje más firmemente que antes, que la división de América en nacionalidades inciertas e ilusorias ES completamente ficticia. Constituimos una sola raza mestiza que desde México hasta el estrecho de Magallanes presenta notables similitudes etnográficas. Por eso, tratando de quitarme toda carga de provincianismos exiguos,  brindo por Perú y por América Unida.” (CHE, Notas de Viaje, p. 135-136)

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Poeira estelar, é tudo um grande passa tempo


Meu amigo Gui me convocou para escrever um texto sobre a importância do movimento estudantil, visto que minha pesquisa de mestrado fala um pouco sobre a temática, mas o que tenho a dizer é sobre outra coisa, infelizmente caro amigo, nem sempre somos nós quem decide o que se escreve, às vezes, as coisas é que nos convocam a escrever, a vida que nos convoca, ela nos agencia, deparamo-nos com o que não esperávamos ou imaginávamos, eis aí a beleza que se tem na capacidade de surpreender que só a vida nos oferece. Estive esperando esse momento, estava, há algum tempo, esperando que alguma coisa me mobilizasse e em tempos difíceis, pouca coisa tem feito isso.

Foi quando, sem querer, coloquei a TV em um canal e vi um filme cuja sua imagem e fotografias me chamaram a atenção, tratava-se de um clássico estilo de fazer cinema brasileiro, no qual os atores, o cenário, o roteiro, tudo parece real, mesmo com cerca de vinte ou trinta minutos de filme, resolvi assisti-lo. Os diálogos me prenderam a atenção, existiu ali uma afinidade, simpatia, transferência, empatia, não sei que conceito, mas é esse que diz das experiências que temos quando compartilhada com outros. O nome do filme é A falta que nos move, sem mais delongas vamos ao que interessa, quer dizer então que com essa introdução quis afirmar que é preciso ter alguma falta para a humanidade caminhar? Sim, aliás, não sei porque to querendo responder essa questão, melhor, me lembrei. É de uma incompletude dos textos que escrevo, é de meios-ditos, não ditos, inverdades, farsas, histórias mal contadas, de um meio, de uma metade, tem me faltado à inspiração, a vontade de escrever, a vontade de poder, a falta não me tem aparecido, tem me faltado à falta. Dizem alguns provérbios chineses que é preciso ter uma xícara vazia para poder aprender outras lições, minha xícara deve estar cheia, de saco cheio porque não me sobra um pouquinho que for para animar a escrever alguma coisa.

A liberdade exige a responsabilidade com ela, tempos da morte dos ideais, morte das grandes utopias, dos grandes discursos, são tempos da provisoriedade, e é preciso saber viver com ela. Meu amigo Guilherme, gostaria que visse esse filme, ele é como o filme que você me indicou, tem algo que nos acalanta um sobro de vida. Uma surpreendente potência de vida que o homem se põe a inventar para dar sentido a sua existência. O filme celebra e brinda as mentiras bem contadas, faz um brinde as pessoas do mundo, a generosidade, a compaixão e a esperança de uma vida melhor. Uma alusão entre a linha tênue e quase inexistente entre verdade e mentira, poderia dizer inexistente, mas melhor não. Um soco nos estômago dos fracos e um chute na canela dos fortes.
Quer saber de outra coisa Gui? Imagine a vida como um jogo de xadrez entre o sujeito, para você o ser (sei que gosta da fenomenologia- existencial), e o tempo, em que não há vencedores, apenas belos lances, belas jogadas, ora somos nós é quem enganamos o tempo, ora ele. Apenas fazemos o que deve ser feito; o homem existe e o tempo é. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O IMPERIAL POPULAR



O Imperial Popular é mais do que uma banda, 
é o grito engasgado do oprimido em busca do seu canal de expressão. 

É um som fantasma, sem "eira nem beira" que sabe o que quer, e sabe querer. 
Não tem gente nem ente, nem integrante e nem população ... 
sem indivíduos e nem programação. 

O Imperial Popular não faz falta nem caso ... 
ele perfura o espaço pelo sangue latino que escorre nos livros de História. 
Ele é a mente consciente coletiva e ciente de suas limitações. 
É a militância político-sonora que não condena a "arte pela arte". 

Não tem guitarrista, baixista e nem baterista ... 
as vezes é comunista, trabalhista, socialista ou até anarquista, mas nunca capitalista. 

O Imperial Popular é o espelho que reflete o desejo do subjugado transferido pelo calor da amizade sincera. 
É a crítica sem máscara recebida do olhar solitário no espelho. 
É o riso sincero no rosto do trabalhador 
que acaba de encher a despensa de casa. 

O Imperial Popular é o agradecimento sincero à todos aqueles que morreram pela liberdade, 
seja no campo, ou seja na cidade. 
É um tributo inocente de luta e caridade, 
de coração e pelo desejo de uma nova sociedade. 

O Imperial Popular é a esperança contida no sorriso do filho. 
É o peso na consciência da mesa farta, é a gratidão sem paciência. 

É um ponto no vento, é uma batida sem tempo definitivo. 
É a falta de pretensão em favor do coletivo. 



domingo, 26 de agosto de 2012

Ciência e Sapiciência

Diante da genialidade de alguns, até mesmo um fanfarrão falastrão, fica sem o que comentar e só a pensar.
Traga 2 trechos de uma pequeno livro MUITO bom que li neste mês. Se já tive até preconceito contra o autor, depois de ter este livro, único dele que li, vou buscar conhecer mais de seus escritos. Recomendo aos curiosos, algumas belas aporias sobre o debate do científico e não científico. Fica o trecho e, provavelmente, deixarei mais, o livro é fantástico!

Rubem Alves em, "Entre ciência e sapiciência: O dilema da educação"


"Quero seduzir você a jogar um jogo de palavras chamado filosofia. Você não se interessa por filosofia, nunca estudou filosofia, nada sabe sobre os filósofos. Filosofia, coisa chata e complicada. Compreendo. Mas suas alegações simplesmente significam que você não tem condições para ser um professor de filosofia. Professores de filosofia têm de dominar uma tradição.

Mas note: o homem que inventou o alfabeto era analfabeto. o primeiro filósofo que começou a filosofia não tinha atrás de si uma bibliografia filosófica. Excesso de informações perturba o pensamento. 'quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar: divinare. Os sabiás divinam', assim dizia Manoel de barros. (é poeta-criança. Criança brinca com brinquedos; poeta brinca com palavras. Essa afirmação do poeta não é científica. Não foi produzida por método. Ela é mágica. Quebra feitiços. Faz voar idéias plantadas.) Frenquentemente os professores de filosofia pensam tanto o pensamento de outros que acabam por não ter pensamentos próprios." [...]

"Estou ouvindo 'Eu não existo sem você', de Tom Jobim. Só posso ouvi-la por causa da ciência. Foi a ciência que, com teorias e medições, construiu meu computador. Foi ela que, com teorias e medições, produziu o cd, traduzindo a música em entidades eletrônicas definidas. Mas um engenheiro surdo poderia ter feito isso. Porque as redes da ciência não pegam música. Pegam entidades eletrônicas quantificáveis. Assim, um cientista que fosse também um filósofo, ao declarar 'Isso não é científico', estaria simplesmente confessando: 'Isso, as redes da ciência não conseguem pegar. Elas deixam passar. Seria necessário outra rede...'

Volto a Manoel de Barros: ' A ciência pode classificar e nomear os órgãos de um sabiá, mas não pode medir seus encantos'. Outra rede: meu corpo é a outra rede, feita de coração, sangue e emoção. Deixa passar o que a ciência segura. E segura o que a ciência deixa passar. Não mede s encantos do sabiá. Mas fica triste ao ouvi-lo, ao cair de tarde... Isso também é parte da realidade. Sem ser científico."

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Uma poeira de estrela entre galaxias


Demorei muito para dar um passo para trás, trabalhar bastante para esvaziar a mente e comentar o texto que eu curti muito! Sei que o dialogo está chato e apenas entre dois, mas é bom saber que muitos livros lidos como obrigatórios pelos estudos humanos foram escritos, na verdade, em formas de cartas entre amigos que cursando seus estudos longe um do outro, compartilhavam e instigavam-se nos pontos controvérsios.

É duro perceber que o protocolo de vida está nos consumindo. De uns dois anos para cá, um filme tem consumido minha moral: "Como Estrelas na Terra". A objetivação da vida por meio da técnica positivista tenta nos moldar e nos colocar como padrões semelhantes, mas, ao ver tal filme, eu lembro um pouco do que sou, que sou um pouco retardado para algumas coisas, que sou uma criança que não sabe jogar alguns jogos de adultos, que viajar sempre foi muito melhor do que ancorar (principalmente as ideias). Sei também, que muitos conhecidos devem ser assim, cada um na sua particularidade, mas, educado foi para matar sua abertura ao mundo. Somos todos iguais, dentro de cada diferença por sermos exatamente diferentes

O filme trata de uma criança indiana que parece ser "estranha", não se esforça, não tem interesse pelas coisas importantes, irresponsável, marginal dentro da própria casa... um retardado. O guri, interpretado por um ator fenomenal, com o olhar, traz a lembrança do que é sonhar! Como é bom, ao menos, lembrar o que é sonhar...

Não vou contar o filme, mas claro que tem um "final feliz". Este, só ocorre porque há um amigo, um novo amigo, que o entende, que se coloca no lugar do menino e busca comunicar na sua linguagem, pela arte. Não sei bem qual é a minha linguagem, sempre desconfio que é jogar conversa pro ar, especular, tentar demonstrar que aquilo que parece ser tão certo, não é. Porque? porque nada é, mas está! Estou aqui, jogando palavras num papel virtual. quero mesmo é dizer que, algumas pessoas tem o dom de comunicar conosco naquela viagem que só a gente faz, como se adentrassem nos nossos sonhos. Muitas delas nem sabem disso. 

Como é importante para o conhecimento a relação com o amigo! Várias formas de amizade. Pedro, me conhece pela vírgula, sabe exatamente porque de um sofrimento sem precisar utilizar das técnicas de psicologo, passo a me conhecer melhor através dele. Fernanda, estranhamente, acho que não consegue me entender dessa forma, mas incrivelmente, adentra fundo mexendo com algo que os calos da infância quase me fizeram esquecer! Me faz assumir e ser aquilo que sou.

Volto-me ao filme. Não sei pintar quadros, não sei abrir mão das coisas, quero abraçar o mundo com uma só mão. Sou egoísta. Não tenho nem a metade da bondade do garoto, mas sinto bem o que é correr aos braços de alguém que nos faz mudar e aceitar o que somos.

Em sonho nenhum tinha escritórios, papeis e burocracia. Não podemos nos deixar prender aos sonhos e nas lembranças da infância. Mas podemos buscar construir da vida um sonho. O homem cria técnica e reproduz conhecimento. Mas o computador não escreve sozinho, o forno precisa de algo a ser assado. Uma receita não é só combinação perfeita de ingredientes. É necessário que sejamos senhores de nossos passos, sabendo que não somos senhores de nossos destinos, porque o sorriso daquela mulher já seria suficiente para que todos os planos sejam refeitos. é tudo um Caos. ordem a partir do caos. Necessário que a cada dia pensemos, o que fazemos com tanto conhecimento? o que é função social? o que realmente nos importa? quais são as metas? mas, porque ter metas? 

O manifesto da preguiça seria ótimo, mas não é preguiça! é uma luta árdua, para que o não epistemológico, o amor, vença! não é o bem, é o amar. É poder olhar para o que somos por meio de ações, não permitir que nossas criações não nos controle, e por isso, perceber, que não podemos controlar o que Deus (ou qualquer outra concepção) criou.Um abraço não tem preço, mas possui um valor mais prazeroso que gastar um dinheiro com o mesmo amigo em um shopping (por ex.). Fazer amor naquele colchão velho com certeza é muito mais importante do que uma noite de sexo em um suite de luxo. Sou um materialista que, sabendo da necessidade do mundo material para viver, pede socorro ao mundo que percebam que o afeto afeta muito mais!