quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Um brinde a ausência de fronteiras...

(escute enquanto lê)


Há alguns dias, uma amiga sumida, Luiza, me deixou um vídeo no mural do face. Este ai que compartilho. O vídeo é daqueles que me faz sentir algo que mal sei explicar. Para ser sincero, impossível racionalizar, no máximo, trazer aporias e palavras soltas, que sorte minha, são vazias e podem ser sempre preenchidas e repreenchidas eternamente.

Engraçado demais, quando criança/adolescente, a necessidade de querer ser reconhecido e ter alguma coisa de nobre em mim, fazia com que ressaltasse aquelas velhas histórias de que "sou bisneto de estrangeiro", corridos da segunda guerra, que tenho sangue europeu e bla bla bla. Quanta pobreza. Não era só a pobreza do fato de que realmente não tinha nada de nobre na minha "linhagem", era a pobreza de achar que isto torna alguém nobre.

Mas ainda bem que o tempo passa e que nossa abertura para a vida nos fazer ver horizontes muito mais distantes do que aquele de uma ética burguesa.

Percebi que o sangue misturado, com muitos estrangeiros pobres, escravos, operários, fugidos, índios... na verdade só representavam UMA MISTURA. Mistura esta que ultrapassa aquela estudada, do mameluco, mulato, como se fosse algo social do brasileiro. Negativo. É identitário e muito maior, é o que no faz sermos Latinos Americanos.

Posso continuar em um romancismo, mas agora penso que encontrei uma identidade concreta, que troca a noção de nobreza pela de honra. Uma busca pela autenticidade que precisa acontecer. Quão honrado é o povo que luta diariamente para ser feliz, para levar sua vida olhando por detrás de olhos puxados, que gosta de sentir o calor de uma pele que sempre tem um queimado peculiar do sol, mesmo nos países americanos que o sol se afugente constantemente.

Não conheço para além de nosso sudeste brasileiro, talvez seja a maior frustração minha até hoje. Assim, torço para que chegue logo o dia de superar tais muros. Mas, e ainda assim, sinto desta forma, como nos dizeres de Che, não o revolucionário, mas aquele humanitário antes de tudo, que percebeu ao viajar por nosso continente que não há qualquer explicação racional para tentar dividir os latinos americanos, senão o próprio interesse de nos enfraquecer. Somo todos irmãos, braços dados ou não, que travamos guerras infindáveis diariamente, com fé em Deus e nesta batalha, sabendo que a vitória vem de pequenos gestos que só este povo pode ver, em um sonho de sangue e de américa do Sul, e que por força desta história, tanto o blue quanto o samba, tomaram vida única!
Sonho muito, para que as mudanças de um novo mundo, que aceite as identidades, surja na prática desta imensa ilha. E, crendo nisso, lutemos! Em um momento que vivo uma batalha tão minha, penso que é apenas um fortalecimento que está muito além de um sujeito, mas para com todos estes, meus irmão, que lutam da mesma forma para trazer um pouco de liberdade e responsabilidade, que a humanidade seja sempre ressaltada e o brilho dos olhos possa contar muito mais que títulos. Somos isso tudo aí, nada a menos, muito mais.

Então brindemos!:


“Bueno, es una obligación para mí el agradecer con algo más que con un gesto convencional, el brindis que me ofrece el Dr. Bresani. En las precárias condiciones en que viajamos, solo queda como recurso de la expresión afectiva la palabra, y es empleándola que quiero expresar mi agradecimiento, y el de mi compañero de viaje, a todo el personal de la colonia, que, casi sin conocernos, nos ha dado esta magnífica demostración de afecto que significa para nosotros la deferencia de festejar nuestro cumpleaños, como sifuera la fiesta íntima de alguno de ustedes. Pero hay algo más; dentro de pocos días dejaremos el territorio peruano, y por ello estas palabras toman la significación secundaria de una despedida, en la cual pongo todo mi empeño en  expresar nuestro reconocimiento a todo el pueblo de este país, que en forma ininterrumpida nos ha colmado de agasajos, desde nuestra entrada por Tacna. Quiero recalcar algo más, un poco al margen del tema de este brindis: aunque lo exiguo de nuestras personalidades nos impidan ser voceros de su causa, creemos, y después de este viaje más firmemente que antes, que la división de América en nacionalidades inciertas e ilusorias ES completamente ficticia. Constituimos una sola raza mestiza que desde México hasta el estrecho de Magallanes presenta notables similitudes etnográficas. Por eso, tratando de quitarme toda carga de provincianismos exiguos,  brindo por Perú y por América Unida.” (CHE, Notas de Viaje, p. 135-136)

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Poeira estelar, é tudo um grande passa tempo


Meu amigo Gui me convocou para escrever um texto sobre a importância do movimento estudantil, visto que minha pesquisa de mestrado fala um pouco sobre a temática, mas o que tenho a dizer é sobre outra coisa, infelizmente caro amigo, nem sempre somos nós quem decide o que se escreve, às vezes, as coisas é que nos convocam a escrever, a vida que nos convoca, ela nos agencia, deparamo-nos com o que não esperávamos ou imaginávamos, eis aí a beleza que se tem na capacidade de surpreender que só a vida nos oferece. Estive esperando esse momento, estava, há algum tempo, esperando que alguma coisa me mobilizasse e em tempos difíceis, pouca coisa tem feito isso.

Foi quando, sem querer, coloquei a TV em um canal e vi um filme cuja sua imagem e fotografias me chamaram a atenção, tratava-se de um clássico estilo de fazer cinema brasileiro, no qual os atores, o cenário, o roteiro, tudo parece real, mesmo com cerca de vinte ou trinta minutos de filme, resolvi assisti-lo. Os diálogos me prenderam a atenção, existiu ali uma afinidade, simpatia, transferência, empatia, não sei que conceito, mas é esse que diz das experiências que temos quando compartilhada com outros. O nome do filme é A falta que nos move, sem mais delongas vamos ao que interessa, quer dizer então que com essa introdução quis afirmar que é preciso ter alguma falta para a humanidade caminhar? Sim, aliás, não sei porque to querendo responder essa questão, melhor, me lembrei. É de uma incompletude dos textos que escrevo, é de meios-ditos, não ditos, inverdades, farsas, histórias mal contadas, de um meio, de uma metade, tem me faltado à inspiração, a vontade de escrever, a vontade de poder, a falta não me tem aparecido, tem me faltado à falta. Dizem alguns provérbios chineses que é preciso ter uma xícara vazia para poder aprender outras lições, minha xícara deve estar cheia, de saco cheio porque não me sobra um pouquinho que for para animar a escrever alguma coisa.

A liberdade exige a responsabilidade com ela, tempos da morte dos ideais, morte das grandes utopias, dos grandes discursos, são tempos da provisoriedade, e é preciso saber viver com ela. Meu amigo Guilherme, gostaria que visse esse filme, ele é como o filme que você me indicou, tem algo que nos acalanta um sobro de vida. Uma surpreendente potência de vida que o homem se põe a inventar para dar sentido a sua existência. O filme celebra e brinda as mentiras bem contadas, faz um brinde as pessoas do mundo, a generosidade, a compaixão e a esperança de uma vida melhor. Uma alusão entre a linha tênue e quase inexistente entre verdade e mentira, poderia dizer inexistente, mas melhor não. Um soco nos estômago dos fracos e um chute na canela dos fortes.
Quer saber de outra coisa Gui? Imagine a vida como um jogo de xadrez entre o sujeito, para você o ser (sei que gosta da fenomenologia- existencial), e o tempo, em que não há vencedores, apenas belos lances, belas jogadas, ora somos nós é quem enganamos o tempo, ora ele. Apenas fazemos o que deve ser feito; o homem existe e o tempo é.