Por: Pedro Henrique
É, tenho andado meu caminho, tenho visto pessoas..., mas
quem sabe a vida lá no trópico ande a mil? Tenho um cachorro que se chama
Belchior, resolvi colocar esse nome nele, porque sou fã de carteirinha do
grande compositor e músico. Quase sempre que posso, coloco uma música aqui,
outra ali, recentemente escutei, acho que o ultimo disco de músicas inéditas o As várias caras de Drummond, um claro
elogio do cearense ao nosso grande poeta mineiro, de 2004, um disco espetacular
porque Belchior me surpreendeu com suas letras e melodias, ele se superou indo
além do seu velho e bom repertório. Sou um jovem que desceu da cidade do interior
mineiro para a capital do Espírito Santo, como muitos mineiros e como os muitos
nordestinos buscando uma vida melhor no Sudeste. Felizmente a economia do país
anda razoável, em vista dos anos anteriores ao governo de centro-esquerda, e o
movimento tem se invertido, as pessoas tem retornado às suas cidades, aos seus
estados.
Sinceramente, se eu fosse fazer um elogio a este cantor,
acho que poderia passar um final de semana escrevendo em frente ao computador e
ainda não me cansaria. É desses que não se enjoa de ouvir, cada vez que eu ouço
parece que é a primeira vez, sempre uma nova composição, sempre surge algo de
novo, percebo algo que não tinha percebido ou dado atenção, conecto com outras
coisas e por aí vai. Mas nada é divino, nada é sagrado, nada é maravilhoso.
Neste momento, para variar, estou ouvindo.
Mas não se trata dele neste curto texto, acho que venho
dizer aqui de outra coisa, mas tomei emprestadas suas canções para criar uma atmosfera,
em enredo de aproximação, de afeição, de coisas que possamos ter em comum,
preparando a cama. Sonhos. Vamos sonhar.
O que me levou a sair, provisoriamente da terra do UAI, dos
casos, da terra dos contos, da amizade, da família, da rocinha, do cigarro de
palha, do pão de queijo, das montanhas e cachoeiras, dos companheiros é o desejo
de um mundo melhor, sem chavões, por favor! Um mundo melhor para mim e para o
próximo, estou pensando no meu futuro, entretanto, não se tem futuro
individual, só se pode ter futuro coletivo. É chegado o momento onde o EU deve
dar espaço, ceder um pouco, dar passagem a um novo sujeito, a uma nova relação
do homem com seu mundo, é preciso pensar em outras formas de subjetivação para além
dos egoísmos, individualismos e ismos a perder de vista. Um sonho é tão curto e tão intenso, chegam a
ser segundos.
Tarefa difícil e árdua exilar-se de si mesmo. A distância é
tão linda quanto à proximidade, só precisamos saber apreciá-la, e depois
voltar, voltar a si. Porém, como diria Foucault ou Nietzsche, qualquer um dos
dois, uma conversão, um retorno a si, nunca é um simples retorno, sempre tem
algo ali de diferente, que mudou nesse meio-tempo. Que bom seria se fosse
sempre um (re) começo, que bom seria se nos perdêssemos um pouco. Na verdade, estou
precisando de chão, de terra, pão, de “coisas reais”. É simples sonhar, às
vezes surge uma vontade enorme de vomitar no mundo toda miséria que engolimos
de uma única vez, mas o discurso lógico e racional nos impõe uma ordem, uma
limitação, uma ordem da coerência, cansei da coerência, e que tal se todos se
explodissem? Rizoma, fascismo, qualquer coisa, mentiras, farsa, saco cheio,
doce, nozes, balões, música, ar, novela. Quando acaba, pode ser um novo começo,
que tal se nos começássemos de novo? E se não precisasse fazer sentido? E se invertamos outra coisa? Se no lugar do discurso coerente e lógico
fossemos movidos pela paixão, pelo ethos,
pela ética, pelo amor, e se fossemos menos autoritários, e se não fossemos os
donos do saber, e se questionarmos a NÓS mesmos, e se nossa cognição fosse
outra? É possível? Não sei, mas sei que é preciso mudar e, sinceramente, não
estou preocupado, neste momento, em propor algum esquema ou estrutura social ou
econômica ou filosófica ou escambau a quatro, nada disso me interessa no
momento, porque tamanha a urgência e a miséria que bate nas nossas portas todos
os dias ou nas ruas em que passamos.
Acredito que os movimentos de Occupy pelo mundo à fora, os
Indignados, o Zapatista, o MST, A Primavera Árabe, é um recado claro, claro e
em bom tom de que as coisas não andam bem e precisam mudar. Chega de dizer ao
outro o que é bom ou ruim, “cruel ou paixão”, chega dessa moral burguesa, da
exploração do homem pelo homem, não estou propondo anarquia, aliás, que fique
claro, não se trata disso. Minha, nossa proposição é um mínimo de civilidade,
poderíamos inventar outra palavra, pois o que vemos, hoje, não pode ser
considerado, em hipótese alguma, civilidade. A essa altura não espero muita
coisa, só um mínimo, que bom seria se ele desse conta de dissipar nossas
instituições. Se essa lógica Newtoniana e Cartesiana, como disse Guilherme,
explodisse! Que bom seria se a vida fosse uma música, uma poesia, um filme, uma
obra de arte que as coisas fossem fazendo sentido à medida que fossemos experimentando,
que fossemos sentindo, que fossemos tocados, sensibilizados com o próximo, que
fosse beleza, que fosse intenção, que fosse sonho, que fosse fênix, que ressurgisse
das cinzas. Ainda ousam dizer que as palavras não rasgam papéis, que elas não
ferem, que elas não tocam, que elas não tem força, que não mudam as coisas. Na verdade, cansei das palavras, que bom seria
se a vida fosse ação. Palavra é ação! Jogou no ar, já era! Não tem volta, dá
pra pedir uma desculpa, é obvio.
Quer saber a verdade? Não a eterna e absoluta dos senhores
da verdade, mas essa parcial e provisória. Meu cachorro Belchior tem me ensinado
mais coisas, realmente úteis à vida, como compaixão, companheirismo, lealdade,
simplicidade, determinação, força de vontade, respeito e amor à vida e o amor
nestes cinco meses que estou com ele, do que nesses 20 anos de escola.
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