quarta-feira, 1 de abril de 2015

Para não dizer que não falamos de Deus

Para não dizer que não falamos de Deus

Meu amigo Guilherme, lá se vão alguns anos desde nossa última postagem nesse blog. Quanto tempo não se passou, e em nós, quanto também não se passou? Daqui, escrevo de madrugada, reli o último texto e, felizmente, um blog realmente não precisa e não deve ter ares “científicos” (Graças a Deus), porque isso já fazemos na academia (não é academia de musculação não eihn!).

Bom, pra não perder o costume de ao mesmo tempo “enrolar” e ser objetivo, de estar dentro e fora, sem eixo e na direção oposta, desnorteado e sem sentido, viciado e virtuado, vamos logo ao que interessa: Uma simples carta para falar de amizade, Deus e jogar conversa fora!

Gui, estou lendo Spinoza (Prefiro Espinosa) a respeito de noções como: primeiro gênero do conhecimento, ideia adequada, paixões tristes, alegria e outros. Vou tentar explicá-los a você e assim, ao mesmo tempo, aproveito a oportunidade para explicá-los a mim mesmo, obviamente.

Espinosa diz que um afeto é maior que uma razão, na realidade, a razão é efeito de um determinado afeto de alegria. Um indivíduo, ou ser, quando age e pensa, tendo consciência do que o levou a agir ou pensar estaria tendo ideias adequadas ou noções comuns. Por outro lado, um indivíduo quando tem consciência de determinado afeto, mas não tem consciência do que o provocou ou o causa é acometido por ideias inadequadas ou imaginativas. Por ex: Você fica com raiva de alguém, mas não sabe por quê.  Quando somos tomados por ideias adequadas temos consciências do que as provocou, sua causa, e assim aprendemos a discernir certa causalidade em detrimento das ideias imaginativas, sem causalidade.

Ele argumenta que quando se tem consciência dos afetos (ou afecções) e suas causas somos acometidos pelo afeto da alegria, que nos impulsiona ao encontro, a ação e a potência de agir e pensar, pois sentimos nossa potência aumentada. No movimento inverso, quando não temos consciência das causas dos afetos, somos tomadas pelas paixões (pathos – sofrer uma ação) diminuindo nossa potência de agir e pensar.

Tentarei novamente, uma afecção (encontro do corpo com outros corpos) quando aumenta nossa potência de agir, leva ao afeto chamado de alegria, nos leva à atividade, ao querer, ao desejo (conatus). Já uma afecção que diminui nossa potência de agir e pensar é um afeto triste, ou uma paixão triste, pois nos desmotiva a agir e pensar, logo uma ideia inadequada.

Um ser se esforça em perseverar e existir. Nossa natureza é a auto-preservação. Deus é a natureza, Deus está em tudo e em nós. (Amigão, tô simplificando a filosofia do Cara, porque esteticamente e literaticamente, ela merece mais, mas considere: é um blog estou escrevendo de madrugada e, por fim,...)

Quando as pessoas agem, mas não tem consciência do porque agem [Marx (alienação) e Freud – (inconsciente) leram o Cara. Já Nietzsche irá fazer uma composição com Espinosa um pouco diferente] estão agindo no primeiro gênero do conhecimento, o da imaginação ou causa inadequada das ideias.

Quando o bendito age com consciência do porque age e pensa, ele está no nível do segundo gênero do conhecimento, ou das ideias adequadas e noções comuns (ex: a ciência). Mas agora que é fodarástico!! O Terceiro gênero (e controverso) do conhecimento, também chamado de beatitude e intuitivo. Sabe em que consiste esse gênero? em ver Deus e a eternidade, na singularidade, ou seja, nas pequenas coisas. Esse Gênero simplesmente diz: a capacidade de criar de Deus existe em cada um de nós. E aí vem a revolução pelo qual o Cara foi expulso e excomungado do cristianismo e do judaísmo. Uma crítica severa e aguda contra a servidão humana constituída nas relações dos homens com a religião, uma relação baseada no medo, em falsas crenças e superstições. É por isso que Marilena Chaui o chama de filósofo da Liberdade, pois ele ousa pensar em uma humanidade, no sec. XVII, livre das amarras do pensamento do primeiro gênero de conhecimento.

Só para mencionar, se escrevi é porque fui tomado por um bom encontro com o texto de Espinosa a ponto de aumentar minha potência de agir e pensar e escrever um texto, e se direcionei o texto para você é porque sempre nossas conversas são bons encontros!
Continua...


Aguardo um texto seu. Abraços mano vei!!

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