Para não dizer que não falamos de Deus
Bom,
pra não perder o costume de ao mesmo tempo “enrolar” e ser objetivo, de estar
dentro e fora, sem eixo e na direção oposta, desnorteado e sem sentido, viciado
e virtuado, vamos logo ao que interessa: Uma simples carta para falar de
amizade, Deus e jogar conversa fora!
Gui,
estou lendo Spinoza (Prefiro Espinosa) a respeito de noções como: primeiro gênero
do conhecimento, ideia adequada, paixões tristes, alegria e outros. Vou tentar
explicá-los a você e assim, ao mesmo tempo, aproveito a oportunidade para
explicá-los a mim mesmo, obviamente.
Espinosa
diz que um afeto é maior que uma razão, na realidade, a razão é efeito de um
determinado afeto de alegria. Um indivíduo, ou ser, quando age e pensa, tendo
consciência do que o levou a agir ou pensar estaria tendo ideias adequadas ou
noções comuns. Por outro lado, um indivíduo quando tem consciência de determinado
afeto, mas não tem consciência do que o provocou ou o causa é acometido por
ideias inadequadas ou imaginativas. Por ex: Você fica com raiva de alguém, mas
não sabe por quê. Quando somos tomados
por ideias adequadas temos consciências do que as provocou, sua causa, e assim
aprendemos a discernir certa causalidade em detrimento das ideias imaginativas,
sem causalidade.
Ele
argumenta que quando se tem consciência dos afetos (ou afecções) e suas causas
somos acometidos pelo afeto da alegria, que nos impulsiona ao encontro, a ação
e a potência de agir e pensar, pois sentimos nossa potência aumentada. No
movimento inverso, quando não temos consciência das causas dos afetos, somos
tomadas pelas paixões (pathos – sofrer uma ação) diminuindo nossa potência de
agir e pensar.
Tentarei
novamente, uma afecção (encontro do corpo com outros corpos) quando aumenta
nossa potência de agir, leva ao afeto chamado de alegria, nos leva à atividade,
ao querer, ao desejo (conatus). Já uma afecção que diminui nossa potência de
agir e pensar é um afeto triste, ou uma paixão triste, pois nos desmotiva a
agir e pensar, logo uma ideia inadequada.
Um ser
se esforça em perseverar e existir. Nossa natureza é a auto-preservação. Deus é
a natureza, Deus está em tudo e em nós. (Amigão, tô simplificando a filosofia
do Cara, porque esteticamente e literaticamente, ela merece mais, mas
considere: é um blog estou escrevendo de madrugada e, por fim,...)
Quando
as pessoas agem, mas não tem consciência do porque agem [Marx (alienação) e Freud
– (inconsciente) leram o Cara. Já Nietzsche irá fazer uma composição com
Espinosa um pouco diferente] estão agindo no primeiro gênero do conhecimento, o
da imaginação ou causa inadequada das ideias.
Quando
o bendito age com consciência do porque age e pensa, ele está no nível do
segundo gênero do conhecimento, ou das ideias adequadas e noções comuns (ex: a ciência).
Mas agora que é fodarástico!! O Terceiro gênero (e controverso) do
conhecimento, também chamado de beatitude e intuitivo. Sabe em que consiste
esse gênero? em ver Deus e a eternidade, na singularidade, ou seja, nas
pequenas coisas. Esse Gênero simplesmente diz: a capacidade de criar de Deus
existe em cada um de nós. E aí vem a revolução pelo qual o Cara foi expulso e
excomungado do cristianismo e do judaísmo. Uma crítica severa e aguda contra a
servidão humana constituída nas relações dos homens com a religião, uma relação
baseada no medo, em falsas crenças e superstições. É por isso que Marilena
Chaui o chama de filósofo da Liberdade, pois ele ousa pensar em uma humanidade,
no sec. XVII, livre das amarras do pensamento do primeiro gênero de
conhecimento.
Só para
mencionar, se escrevi é porque fui tomado por um bom encontro com o texto de
Espinosa a ponto de aumentar minha potência de agir e pensar e escrever um
texto, e se direcionei o texto para você é porque sempre nossas conversas são
bons encontros!
Continua...
Aguardo
um texto seu. Abraços mano vei!!
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