Diante da genialidade de alguns, até mesmo um fanfarrão falastrão, fica sem o que comentar e só a pensar.
Traga 2 trechos de uma pequeno livro MUITO bom que li neste mês. Se já tive até preconceito contra o autor, depois de ter este livro, único dele que li, vou buscar conhecer mais de seus escritos. Recomendo aos curiosos, algumas belas aporias sobre o debate do científico e não científico. Fica o trecho e, provavelmente, deixarei mais, o livro é fantástico!
Rubem Alves em, "Entre ciência e sapiciência: O dilema da educação"
"Quero seduzir você a jogar um jogo de palavras chamado filosofia. Você não se interessa por filosofia, nunca estudou filosofia, nada sabe sobre os filósofos. Filosofia, coisa chata e complicada. Compreendo. Mas suas alegações simplesmente significam que você não tem condições para ser um professor de filosofia. Professores de filosofia têm de dominar uma tradição.
Mas note: o homem que inventou o alfabeto era analfabeto. o primeiro filósofo que começou a filosofia não tinha atrás de si uma bibliografia filosófica. Excesso de informações perturba o pensamento. 'quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar: divinare. Os sabiás divinam', assim dizia Manoel de barros. (é poeta-criança. Criança brinca com brinquedos; poeta brinca com palavras. Essa afirmação do poeta não é científica. Não foi produzida por método. Ela é mágica. Quebra feitiços. Faz voar idéias plantadas.) Frenquentemente os professores de filosofia pensam tanto o pensamento de outros que acabam por não ter pensamentos próprios." [...]
"Estou ouvindo 'Eu não existo sem você', de Tom Jobim. Só posso ouvi-la por causa da ciência. Foi a ciência que, com teorias e medições, construiu meu computador. Foi ela que, com teorias e medições, produziu o cd, traduzindo a música em entidades eletrônicas definidas. Mas um engenheiro surdo poderia ter feito isso. Porque as redes da ciência não pegam música. Pegam entidades eletrônicas quantificáveis. Assim, um cientista que fosse também um filósofo, ao declarar 'Isso não é científico', estaria simplesmente confessando: 'Isso, as redes da ciência não conseguem pegar. Elas deixam passar. Seria necessário outra rede...'
Volto a Manoel de Barros: ' A ciência pode classificar e nomear os órgãos de um sabiá, mas não pode medir seus encantos'. Outra rede: meu corpo é a outra rede, feita de coração, sangue e emoção. Deixa passar o que a ciência segura. E segura o que a ciência deixa passar. Não mede s encantos do sabiá. Mas fica triste ao ouvi-lo, ao cair de tarde... Isso também é parte da realidade. Sem ser científico."
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