(escute enquanto lê)
Há alguns dias, uma amiga sumida,
Luiza, me deixou um vídeo no mural do face. Este ai que compartilho. O vídeo é
daqueles que me faz sentir algo que mal sei explicar. Para ser sincero, impossível
racionalizar, no máximo, trazer aporias e palavras soltas, que sorte minha, são
vazias e podem ser sempre preenchidas e repreenchidas eternamente.
Engraçado demais, quando
criança/adolescente, a necessidade de querer ser reconhecido e ter alguma coisa
de nobre em mim, fazia com que ressaltasse aquelas velhas histórias de que
"sou bisneto de estrangeiro", corridos da segunda guerra, que tenho
sangue europeu e bla bla bla. Quanta pobreza. Não era só a pobreza do fato de
que realmente não tinha nada de nobre na minha "linhagem", era a
pobreza de achar que isto torna alguém nobre.
Mas ainda bem que o tempo passa e que
nossa abertura para a vida nos fazer ver horizontes muito mais distantes do que
aquele de uma ética burguesa.
Percebi que o sangue misturado, com
muitos estrangeiros pobres, escravos, operários, fugidos, índios... na verdade
só representavam UMA MISTURA. Mistura esta que ultrapassa aquela estudada, do
mameluco, mulato, como se fosse algo social do brasileiro. Negativo. É identitário
e muito maior, é o que no faz sermos Latinos Americanos.
Posso continuar em um romancismo, mas
agora penso que encontrei uma identidade concreta, que troca a noção de nobreza
pela de honra. Uma busca pela autenticidade que precisa acontecer. Quão honrado
é o povo que luta diariamente para ser feliz, para levar sua vida olhando por
detrás de olhos puxados, que gosta de sentir o calor de uma pele que sempre tem
um queimado peculiar do sol, mesmo nos países americanos que o sol se afugente
constantemente.
Não conheço para além de nosso sudeste
brasileiro, talvez seja a maior frustração minha até hoje. Assim, torço para
que chegue logo o dia de superar tais muros. Mas, e ainda assim, sinto desta
forma, como nos dizeres de Che, não o revolucionário, mas aquele
humanitário antes de tudo, que percebeu ao viajar por nosso continente que não
há qualquer explicação racional para tentar dividir os latinos americanos,
senão o próprio interesse de nos enfraquecer. Somo todos irmãos, braços dados
ou não, que travamos guerras infindáveis diariamente, com fé em Deus e nesta
batalha, sabendo que a vitória vem de pequenos gestos que só este povo pode ver,
em um sonho de sangue e de américa do Sul, e que por força desta história,
tanto o blue quanto o samba, tomaram vida única!
Sonho muito, para que as mudanças de um
novo mundo, que aceite as identidades, surja na prática desta imensa ilha. E, crendo
nisso, lutemos! Em um momento que vivo uma batalha tão minha, penso que é
apenas um fortalecimento que está muito além de um sujeito, mas para com todos
estes, meus irmão, que lutam da mesma forma para trazer um pouco de liberdade e
responsabilidade, que a humanidade seja sempre ressaltada e o brilho dos olhos
possa contar muito mais que títulos. Somos isso tudo aí, nada a menos, muito
mais.
Então brindemos!:
“Bueno,
es una obligación para mí el agradecer con algo más que con un gesto
convencional, el brindis que me ofrece el Dr. Bresani. En las precárias condiciones
en que viajamos, solo queda como recurso de la expresión afectiva la palabra, y
es empleándola que quiero expresar mi agradecimiento, y el de mi compañero de
viaje, a todo el personal de la colonia, que, casi sin conocernos, nos ha dado
esta magnífica demostración de afecto que significa para nosotros la deferencia
de festejar nuestro cumpleaños, como sifuera la fiesta íntima de alguno de
ustedes. Pero hay algo más; dentro de pocos días dejaremos el territorio
peruano, y por ello estas palabras toman la significación secundaria de una
despedida, en la cual pongo todo mi empeño en
expresar nuestro reconocimiento a todo el pueblo de este país, que en
forma ininterrumpida nos ha colmado de agasajos, desde nuestra entrada por
Tacna. Quiero recalcar algo más, un poco al margen del tema de este brindis:
aunque lo exiguo de nuestras personalidades nos impidan ser voceros de su
causa, creemos, y después de este viaje más firmemente que antes, que la
división de América en nacionalidades inciertas e ilusorias ES completamente
ficticia. Constituimos una sola raza mestiza que desde México hasta el estrecho
de Magallanes presenta notables similitudes etnográficas. Por eso, tratando de
quitarme toda carga de provincianismos exiguos,
brindo por Perú y por América Unida.” (CHE, Notas de Viaje, p. 135-136)
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