quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Poeira estelar, é tudo um grande passa tempo


Meu amigo Gui me convocou para escrever um texto sobre a importância do movimento estudantil, visto que minha pesquisa de mestrado fala um pouco sobre a temática, mas o que tenho a dizer é sobre outra coisa, infelizmente caro amigo, nem sempre somos nós quem decide o que se escreve, às vezes, as coisas é que nos convocam a escrever, a vida que nos convoca, ela nos agencia, deparamo-nos com o que não esperávamos ou imaginávamos, eis aí a beleza que se tem na capacidade de surpreender que só a vida nos oferece. Estive esperando esse momento, estava, há algum tempo, esperando que alguma coisa me mobilizasse e em tempos difíceis, pouca coisa tem feito isso.

Foi quando, sem querer, coloquei a TV em um canal e vi um filme cuja sua imagem e fotografias me chamaram a atenção, tratava-se de um clássico estilo de fazer cinema brasileiro, no qual os atores, o cenário, o roteiro, tudo parece real, mesmo com cerca de vinte ou trinta minutos de filme, resolvi assisti-lo. Os diálogos me prenderam a atenção, existiu ali uma afinidade, simpatia, transferência, empatia, não sei que conceito, mas é esse que diz das experiências que temos quando compartilhada com outros. O nome do filme é A falta que nos move, sem mais delongas vamos ao que interessa, quer dizer então que com essa introdução quis afirmar que é preciso ter alguma falta para a humanidade caminhar? Sim, aliás, não sei porque to querendo responder essa questão, melhor, me lembrei. É de uma incompletude dos textos que escrevo, é de meios-ditos, não ditos, inverdades, farsas, histórias mal contadas, de um meio, de uma metade, tem me faltado à inspiração, a vontade de escrever, a vontade de poder, a falta não me tem aparecido, tem me faltado à falta. Dizem alguns provérbios chineses que é preciso ter uma xícara vazia para poder aprender outras lições, minha xícara deve estar cheia, de saco cheio porque não me sobra um pouquinho que for para animar a escrever alguma coisa.

A liberdade exige a responsabilidade com ela, tempos da morte dos ideais, morte das grandes utopias, dos grandes discursos, são tempos da provisoriedade, e é preciso saber viver com ela. Meu amigo Guilherme, gostaria que visse esse filme, ele é como o filme que você me indicou, tem algo que nos acalanta um sobro de vida. Uma surpreendente potência de vida que o homem se põe a inventar para dar sentido a sua existência. O filme celebra e brinda as mentiras bem contadas, faz um brinde as pessoas do mundo, a generosidade, a compaixão e a esperança de uma vida melhor. Uma alusão entre a linha tênue e quase inexistente entre verdade e mentira, poderia dizer inexistente, mas melhor não. Um soco nos estômago dos fracos e um chute na canela dos fortes.
Quer saber de outra coisa Gui? Imagine a vida como um jogo de xadrez entre o sujeito, para você o ser (sei que gosta da fenomenologia- existencial), e o tempo, em que não há vencedores, apenas belos lances, belas jogadas, ora somos nós é quem enganamos o tempo, ora ele. Apenas fazemos o que deve ser feito; o homem existe e o tempo é. 

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